Maior adversário no tratamento do HIV/AIDS ainda é o preconceito

Maior adversário no tratamento do HIV/AIDS ainda é o preconceito

27/11/2018 - 16:42 // Por SindSaúde DF // Imagens: Éder Oliveira // Notícias

A falta de conhecimento sobre o vírus afasta diversos pacientes do teste e do tratamento

O dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Luta contra a Aids.. Em 2018, a data se torna ainda mais especial, pois marca os 30 anos de luta contra o HIV e aids no país. O Brasil apresenta quedas nos números de casos e mortes por HIV, porém ainda é preocupante a quantidade de novos casos. Em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791 casos de Aids, totalizando de 1980 a 2017, 982.129 casos de Aids no país.

O balanço é do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, e foi divulgado no Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2018. Nele são apresentados os dados mais atuais do vírus e da doença no Brasil.

Com as campanhas de prevenção, de incentivo ao teste e de acompanhamento de pacientes infectados, desde 2012, observa-se uma diminuição de 15,7% nas taxas de detecção de aids no Brasil.

De acordo com a infectologista da Secretaria de Saúde do DF, Sonia Geraldes, o grande desafio ainda é o preconceito e os tabus do vírus HIV no país. Segundo a especialista, é preciso desmistificar o HIV. “O teste precisa ser mais comum como qualquer outro. Poucas pessoas conhecem o teste. Até mesmo os profissionais da saúde quase não solicitam os testes de sorologia para os pacientes”, afirma, e completa: “Evoluímos no tratamento, mas no preconceito não evoluímos ainda. Ele afasta as pessoas do diagnóstico e do tratamento, é preciso vencer esta barreira”.

Recortes

Num cenário que reflete os últimos 10 anos no Brasil, segundo o sexo dos pacientes, dos 169.932 casos de HIV 68,6% são homens e 31,4% são mulheres. Em sua grande maioria a faixa etária é de 20 a 34 anos. E 52,9% destes são negros. Entre os homens, verificou-se que 59,4% dos casos foram decorrentes de exposição homossexual ou bissexual e 36,9% de heterossexual. Entre as mulheres, 96,8% dos casos se inserem na categoria de exposição heterossexual.

A luta dos médicos é por um diagnóstico precoce, para isto é preciso que as pessoas sejam encorajadas a fazer o teste. Doutora Sonia diz que as pessoas já chegam doentes porque não procuraram o teste previamente. “O objetivo é que todos os portadores sejam acompanhados e cheguem ao estado indetectável, ou seja, não transmissíveis”, conclui a especialista. No Brasil os remédios são distribuídos gratuitamente.

Entre as gestantes com HIV, de 2000 até os dias atuais, foram notificados 116.292 infecções por HIV. Em 2017 foram identificadas 7.882 gestantes no Brasil com o vírus. A taxa de detecção entre gestantes tem aumentado, nos últimos 10 anos houve um acréscimo de 21,7% na taxa de detecção, desde que foram adotados os testes rápidos para estes casos em gestantes pelo SUS. O que viabilizou a identificação de novos casos. Brasília segue com um dos menores coeficientes de transmissão vertical, sendo ele de 1,1/mil nascidos vivos, menor que a média nacional que é de 2,8/mil.

Redução

Os números da doença, que é a Aids, somam mais de 926.742 casos no Brasil desde 1980. Em 2017 foram registrados 37.791 diagnósticos. Nos últimos 10 anos houve uma redução de 9,4% na taxa detecção de Aids no país. Brasília teve um coeficiente inferior ao nacional, sendo de 14,3 casos/ 100 mil habitantes e uma redução de 22,9% de novos casos na última década. A maior concentração é entre indivíduos de 25 e 39 anos. Entre as mulheres houve um aumento considerável de pessoas com 60 anos ou mais, aumento de 21,2% quando comparados os anos de 2007 e 2017.

A aids desde o início da epidemia em 1980 até 2017 levou a óbito 327.655 pessoas no Brasil tendo o HIV/aids como causa básica para a morte. No último ano foram 11.463 casos. Este número demonstra uma queda de 14,8% no coeficiente de mortalidade por aids no Brasil nos últimos dez anos. No DF o índice de 2,7 óbitos/100 habitantes é menor que o nacional que é de 4,8 morte/ 100 mil.

O HIV é um vírus democrático, ele pega qualquer um. Não escolhe quem ele vai infectar, ninguém está imune, ao se colocar em uma situação de exposição, pode contraí-lo. Para a doutora Sonia a maior barreira ainda são os paradigmas que o vírus carrega desde o seu início. Segundo ela, “São 30 anos da epidemia, e ainda é o preconceito quem mata meus pacientes. Por causa dele as pessoas não buscam o tratamento, seja por vergonha ou medo e acabam morrendo. Apesar dos índices cada vez mais baixos de mortalidade por causa da Aids, ainda perco muitos pacientes por ano”.

Acesse o Boletim Epidemiológico HIV/AIDS 2018

“É impressionante que mesmo após 30 anos da epidemia de HIV/Aids no Brasil as pessoas ainda tenham tão pouco conhecimentos sobre o vírus. Hoje em dia, com os tratamentos disponíveis, a vida de um portador do vírus é absolutamente normal. Por isso, precisamos não ter receio de fazer o teste e encorajar outras pessoas para que o façam também. Vamos vencer o preconceito e tudo será mais fácil”, diz a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues.

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