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quarta-feira, 25 novembro, 2020

Brancos recebem salários 61% maiores do que pretos ou pardos no DF, diz IBGE

Levantamento realizado em 2019 mostra que pretos tiveram redução da média salarial. Grupo também representa maioria entre desempregados

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SindSaúde DF
SindSaúde DF
Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Distrito Federal

A população branca do Distrito Federal recebeu salário 61% superior ao de pretos e pardos (negros), em 2019, segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Enquanto, por um lado, os moradores de Brasília têm a maior renda do país, por outro, enfrentam a 7ª maior desigualdade racial entre os profissionais, na comparação com outros estados.

Os dados são do estudo Síntese de Indicadores Sociais, divulgado na última semana. A pesquisa expõe que a desigualdade não se limita à folha de pagamento, mas também atinge aqueles que estão desempregados.

Segundo o estudo, negros apresentaram redução da média salarial de R$ 3.223, em 2018, para R$ 3.173, em 2019. Já os brancos tiveram crescimento do valor no mesmo período, passando de R$ 4.942 para R$ 5.116.

No ranking por região, o DF aparece com a maior renda mensal de todo o país. A média nacional é de R$ 2.884 para brancos e R$ 1.663 para negros, número mais de 50% menor que os valores registrados no DF.

Desemprego

Em nota do IBGE, o coordenador da pesquisa, João Hallak, aponta que não é possível elencar um único indicador como mais importante.

“A população de cor ou raça preta ou parda está mais presente na informalidade, possui menos anos de estudo, está em atividades que remuneram menos. Então, tudo isso contribui para que a renda do trabalho seja menor”, diz o pesquisador.

A disparidade racial do desemprego no DF é a maior em sete anos. Enquanto a taxa de pessoas negras ou pardas sem emprego era de 14,8% no ano passado, a de brancos era de 10,9%. A diferença de 3,9 pontos percentuais é a maior desde o início da série histórica do estudo, em 2012.

Ao analisar o grau de escolaridade por raça ou cor, o estudo não contemplou dados apenas do DF, e sim um recorte por região. 

No Centro-oeste, 34,6% dos brancos tinham ensino superior completo no ano passado; contra 27,5% entre pretos e pardos.

Em recorte nacional, o estudo analisou os casos considerados de extrema pobreza, e mostra que mulheres negras apresentam a situação mais vulnerável, 40% do total. 

Veja no gráfico abaixo:

Pessoas em condição de extrema pobreza no Brasil em 2019 — Foto: IBGE/Reprodução

‘Racismo gera pobreza’

Para o doutor em Direito, com especialidade em Sociologia e Antropologia, Hector Vieira, quando a população negra aparece em desvantagem, a discriminação faz parte da conta. “Todos os problemas são suportados dentro de um sistema maior, que é o racismo. O ponto central é o racismo estrutural. Não é a pobreza que gera racismo, é o racismo que gera pobreza, segundo Vieira.

O especialista, que é membro da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), cita que a igualdade nas oportunidades de trabalho e renda é assegurada em lei, na Constituição Federal, e no Estatuto da Igualdade Racial. No entanto, para ele não é possível debater desigualdade apenas com base na lei.

“Hoje, com 520 anos de história do Brasil, é ingênuo a gente achar que 300 anos de escravidão não reverberam. É uma população que não tinha formação e passou a ser criminalizada. Por isso, a importância de ações para garantir as mesmas condições de bens, serviços e direitos”, afirma.

Hector Vieira, que faz parte dos 27,5% pretos e pardos com nível superior completo no país, conta que sentiu o preconceito estrutural e institucional na pele. 

“Eu poderia passar horas contando casos, mas em um deles, eu estava no tribunal, como advogado, e me confundiram como o segurança. Ninguém me confunde com o juiz”, diz ele.

Com informações do G1 DF

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