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segunda-feira, 20 setembro, 2021

A ditadura matou usando o nome do Brasil. Repudiamos o golpe militar de 1964

Não podemos esquecer as terríveis marcas que este período deixou na alma brasileira, não há nada para ser celebrado, mas não esqueceremos

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SindSaúde DF
Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Distrito Federal

Três décadas após a redemocratização, mesmo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a vida política brasileira ainda não superou o período da ditadura e o flerte com a ideia de uma intervenção militar. Há quem queira comemorar o golpe de 1964, como fez o novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, em nota no dia 31 de março: “as Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País” e que a Lei de Anistia, de 1979, “consolidou um amplo pacto de pacificação a partir das convergências próprias da democracia”.

Em seu artigo 1º, a Constituição diz que “todo o poder emana do povo”.

É importante nunca esquecer, porém jamais se pode comemorar, pois por trás da ditadura militar no Brasil há muito sangue, perseguição, dor e traumas que transpassam as barreiras físicas e encontram as entranhas da miséria humana e da falta de direitos e liberdades. Por isso, não se pode deixar de comentar o que realmente foi este triste período da história brasileira.

Foto: Domínio Público

Até os maus frutos de um governante durante um regime democrático não se assemelham as truculências de um regime ditatorial, pois a ditadura é infrutífera, destruidora e má.

Vala de Perus

Foi um cemitério clandestino da ditadura militar (1964-1985) em São Paulo, as investigações para identificar as ossadas não avançaram como esperado, e as famílias dos desaparecidos políticos seguem na busca de seus entes queridos. A Vala de Perus foi descoberta em setembro de 1990, quando a prefeitura decidiu escavar o local onde estariam, desde os anos 1970, dezenas de ossadas.

Foto:  Marcelo Vigneron

Era preciso que os simpatizantes deste regime cruel e sanguinário tivessem a oportunidade de acompanhar a exumação de 1.049 sacos contendo restos mortais, muitos deles misturados e sem identificação. Na época a prefeita de SP era Luiza Erundina e deu início ao procedimento. O que poderia ser um grande marco na divulgação do terror do regime, visto que havia a indicação de que o Doi-Codi para lá enviava suas vítimas, não avançou como o esperado ao longo dos anos.

Depois da exumação e de primeiras análises, constatou-se que metade daquelas pessoas foi morta de forma violenta, muitas à bala.

Foto: Carlos Bassan

Após 30 anos da abertura da vala clandestina, somente cinco desaparecidos foram identificados. Análises das outras 1.044 ossadas continuavam a ser feitas, agora no Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo.  Assim, muitas famílias ainda questionam: onde estão os desaparecidos?

Dênis Casemiro, identificado em 1991; Frederico Eduardo Mayr, identificado em 1992; Flávio Carvalho Molina, identificado em 2005; Dimas Antônio Casemiro, identificado em 2018; e Aluísio Palhano Pedreira Ferreira, também identificado em 2018.

Afasta de mim este cálice

Há quem consiga debochar da angústia dessas famílias, como o então deputado, Jair Bolsonaro, ao posar ao lado de um cartaz que estava escrito: “Quem procura osso é cachorro”. Patético como sempre.

Bolsonaro encerra grupos responsáveis por | Direitos Humanos

Não se pode admitir que alguém exalte um capítulo tão doloroso do  Brasil. A ditadura arranca do povo a liberdade e os direitos, por isso ela nunca foi e nem será algo bom. Ser contra a ditadura é um sentimento humano, mais forte do que ideologia política ou posição partidária, ditadura é a destruição da democracia, do povo e da nação. DITADURA NUNCA MAIS!

Leia mais sobre a ditadura militar brasileira:

Documentários:

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